Com dólar em alta, Viracopos registra menor importação desde 2013

02-10-2015 10:56

A valorização do dólar, acumulada em 36,42% até agosto, reduziu as operações no terminal de cargas do Aeroporto Internacional de Viracopos, de acordo com a concessionária gestora. No mês passado, foi registrada a quantidade mais baixa de importações desde janeiro de 2013, quando os dados começaram a ser divulgados. Em relação às exportações, as estatísticas de agosto indicam o segundo pior volume de 2015. Atualmente, o aeródromo de Campinas (SP) concentra quase 40% das movimentações deste tipo de carga no país.
Segundo a empresa, Viracopos encerrou agosto com 3,8 mil toneladas de produtos enviados ao exterior. Desde janeiro, o total é 15,7% inferior ao contabilizado durante o mesmo período do ano passado. Em relação às importações, o aeroporto recebeu 9,2 mil toneladas de cargas no mês anterior e teve redução de 18,9% nos oito primeiros meses deste ano, no comparativo com intervalo de 2014. A alta acumulada do dólar foi de 5,91% em agosto, informou o Banco Central.
“A queda de peso na importação é considerável e pode ser diretamente ligada à subida do USD [dólar americano] e à baixa confiança no mercado. No lado de exportação, mesmo com um valor USD elevado, não imediatamente reflete e ajuda as exportações”, alegou a concessionária, em nota, ao ponderar sobre áreas que eventualmente se beneficiaram com a valorização da moeda norte-americana. Atualmente, Viracopos tem 70% da arrecadação ligada ao terminal de cargas.
Busca por otimização
O encolhimento das importações não gerou impacto “expressivo” para as finanças do aeroporto, explicou o gerente de negócios de carga, Hélio Souto Dapena.
“Nós dividimos por segmentos para entender se houve diminuição ou aumento. Tecnologia praticamente se manteve igual desde maio. O mesmo também ocorreu para os setores farmacêutico, químico, de medicamentos e que atendem a área de aviação”, explicou ao mencionar que, por outro lado, houve queda das operações atreladas às companhias da região que atendem indústrias automotivas.
De acordo com a assessoria da concessionária, a receita bruta (desconsiderando-se tributos) de Viracopos ligada às operações do terminal de cargas subiu 9,53% de janeiro a agosto, em relação ao mesmo intervalo de 2014. Parte do resultado é atribuído à abertura de um frigorífico em julho do ano passado, que elevou a capacidade de carga perecível no aeroporto em 60%.
“O aeroporto tem investido em infraestruturas, canais de comunicação. Alguns produtos têm alto valor agregado e urgência na logística, por isso, raramente há preferência por viagens marítimas”, ponderou o assessor de negócios de carga em Viracopos, Adam Cunha.
Diferença de cálculos
Enquanto exportações são cobradas com base no peso da carga, o uso do terminal para logística de produtos comprados fora do país implica em taxas diferenciadas.
A primeira, informou a assessoria da concessionária, é feita considerando-se a soma do valor agregado do item e tempo em que ele fica no terminal (cargas importadas e nacionalizadas em Viracopos); enquanto que a segunda cobrança, para cargas classificadas como DTA (declaração de trânsito aduaneiro), é feita com base no peso movimentado internamente – quando está sob responsabilidade de empresas aéreas.
“Nas épocas de baixa movimentação, ou até de crise, todas as empresas têm cada vez mais foco no custo benefício de qualquer atividade. O papel do aeroporto nessa análise é ser apto para movimentar a carga e ser ágil no processamento da mesma”, diz nota da empresa.
Remessas expressas
Em relação às remessas expressas, incluindo correspondências e produtos atrelados a compras pela internet, o aeroporto de Viracopos registrou 149 toneladas exportadas em agosto, terceiro pior resultado no ano; e 332 toneladas importadas, segundo pior saldo em 2015.
No acumulado dos oito primeiros meses, as exportações tiveram queda de 11% em relação ao contabilizado ano passado – foram de 1.357 toneladas para 1.207. Já as importações, todavia, foram exceção e aumentaram 11,7% neste intervalo – subiram de 2.468 toneladas para 2.759.
O dólar encerrou a terça-feira (29) vendido a R$ 4,05. Na semana passada, ele passou a cotação de R$ 4 pela primeira vez na história, quando foi vendido a R$ 4,24, por preocupações com o ajuste fiscal no Brasil e também por causa da possibilidade do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, elevar a taxa de juros do país.

Fonte: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2015/09/com-dolar-em-alta-viracopos-registra-menor-importacao-desde-2013.html

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