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Dólar abre em alta ante real com tensões EUA-China e política local

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Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar voltava a mostrar intensa volatilidade no pregão brasileiro desta sexta-feira, oscilando entre altas e baixas, com o mercado atento ao Banco Central após intervenção mais intensa da autarquia na última sessão e ainda de olho no cenário político.

O pedido de demissão de Nelson Teich do cargo de ministro da Saúde, menos de um mês após assumir o cargo no lugar de Luiz Henrique Mandetta, adicionou volatilidade ao mercado.

Às 12:10, o dólar avançava 0,23%, a 5,8333 reais na venda. O principal contrato de dólar futuro subia 0,30%, a 5,8420 reais.

O dólar oscilou entre máxima de 5,8700 reais e mínima de 5,7600 reais no dia.

“O dia está absolutamente volátil; estamos falando de câmbio subindo e caindo, taxa de juros abrindo em alta e depois caindo e bolsa sem direção certa”, disse Álvaro Bandeira, economista-chefe do banco digital modalmais.

Na véspera, o dólar à vista fechou em queda de 1,37%, a 5,8202 reais na venda, com a divisa brasileira recebendo apoio de atuações do Banco Central –que vendeu o total de 1,410 bilhão de dólares no pregão–, o que, segundo alguns analistas, impediu a divisa de tocar a marca psicológica dos 6 reais. O dólar chegou a 5,9725 reais na máxima da sessão de quinta.

“O BC fez atuação muito maior do que o normal”, destacou Bandeira.

Em 2020, o dólar acumula alta de mais de 45% em relação ao real, deixando a divisa brasileira com o pior desempenho este ano entre mais de 30 principais pares da moeda norte-americana.

Nesse contexto, ainda que seja um cenário longe de qualquer consenso, há no mercado uma corrente que avalia os riscos de um dólar perto de 6 reais para a inflação.

O nível próximo de 6 reais por ora não causa pressões de preços, mas analistas do Morgan Stanley (NYSE:MS) avaliam que isso pode mudar à medida que a situação fiscal se deteriora –movimento em curso–, o que num cenário mais agudo poderia provocar desancoragem das expectativas de inflação e impactar o repasse (pass through) cambial aos preços.

“Embora não seja o cenário-base de ninguém, nem o nosso, uma vez que o BC pesa riscos do cenário, isso tem de ser algo que deveria deter (o BC) de ir muito além (no corte de juros), especialmente considerando a questão fiscal”, disseram profissionais do banco norte-americano em nota desta sexta-feira.

A redução sucessiva dos juros brasileiros a mínimas históricas tem sido fator importante para a disparada do dólar, uma vez que afeta rendimentos atrelados à taxa Selic e torna os investimentos locais menos atraentes quando comparados aos de países com risco até menor e juros ainda mais altos.

Os efeitos desse ponto são agravados no câmbio pelas consequências econômicas da pandemia de coronavírus e por crescentes tensões políticas no Brasil.

Fonte: br.investing.com

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