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Dólar engata 6ª queda seguida e tem mínima desde abril em ajustes

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Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar engatou a sexta queda consecutiva nesta quarta-feira, fechando no menor patamar desde meados de abril, com o real destoando dos principais pares emergentes e liderando ganhos nos mercados globais de câmbio conforme investidores seguiram desmontando posições em meio a ajustes de fim de mês.

O dólar à vista caiu 1,44%, a 5,2828 reais na venda. É o menor patamar desde 17 de abril (5,2359 reais). Em seis pregões, o dólar spot caiu 8,30%, maior queda para o período desde a série de seis sessões encerrada em 6 de janeiro de 2009 (-9,52%), quando o mundo tentava emergir do estouro da crise financeira no ano anterior.

Na mínima desta quarta, a cotação caiu 1,66% (para 5,2708 reais) e, na máxima, teve variação positiva de 0,03%, a 5,3616 reais.

Na B3, o dólar futuro recuava 1,31%, a 5,2865 reais, às 17h09.

Operadores citaram maior influência nos negócios de operações de rolagens de contratos futuros, típicas de fim de mês, num período em que também ganha força a “disputa” pela Ptax, com comprados e vendidos em dólar puxando a moeda para patamares mais convenientes a suas posições.

A taxa de rolagem entre os vencimentos junho e julho na B3 chegou a tocar 6,6 pontos nesta quarta-feira, bem abaixo de patamares em torno de 8 pontos marcados no mesmo período do mês passado. Na prática, menor taxa de rolagem indica menor demanda por manutenção de posições na moeda, o que pode indicar menor convicção em apostas favoráveis ao dólar.

Mantido o movimento atual, o dólar caminha para fechar maio em queda, o que seria o primeiro mês de baixa em 2020. A divisa acumula desvalorização de 2,85% em maio. Ante a máxima recorde nominal –de 5,9012 reais, alcançada no último dia 13–, a moeda tem depreciação de 10,48%.

O movimento tem ocorrido em meio a alguma melhora no fluxo cambial líquido, que está positivo em 2,466 bilhões de dólares no mês até dia 22, tendo como pano de fundo percepção de alívio na cena política doméstica e maior otimismo no exterior.

Apesar da descompressão no câmbio, analistas do Deutsche Bank seguem vendo a moeda na casa de 6 reais no curto prazo, em parte pelo entendimento de que tensões políticas permanecerão no radar num contexto de agravamento da pandemia no Brasil.

No curto prazo, os profissionais apontam a questão fiscal, a política monetária acomodatícia e a “quase completa ausência de crescimento” como fatores contrários ao real. “E o crescente ruído político nos leva a esperar que o dólar negocie entre 6,0 reais e 6,5 reais, antes de voltar para 5,5 reais, quando as tensões políticas diminuírem”, disseram analistas em nota.

Dólar engata 6ª queda seguida e tem mínima desde abril em ajustes

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